literatura para o autoconhecimento…
Acreditamos que só o conhecimento pode nos libertar de hábitos
devastadores. Encontre aqui indicações de leitura comentadas para diversas situações da vida, incentivando a busca por propósito e um consumo mais respeitoso através de obras que libertam pela reflexão.

Contra o “Nada” alimentado pelo Mundo Líquido
Será que a leitura é mesmo um antídoto para a libertação? Tenho pensado muito sobre isso, pois precisamos encarar a realidade: o “Mundo está cada vez mais Líquido”, como define Zygmunt Bauman, e penso que essa liquidez está a serviço do “Nada”…
Certamente, nessa fluidez onde “nada” permanece, onde o “conhecimento” é instantâneo e descartável, o “Nada” encontra o terreno perfeito para reinar. Com efeito, ele acaba consumindo a imaginação das nossas crianças e a nossa própria capacidade de presença.
Além disso, como mãe e professora, vejo que o desafio de pais e educadores é imenso. Afinal, acredito que a forma como consumimos precisa caminhar junto com a educação. Não se trata de uma educação voltada ao “empreendedorismo”, mas de uma formação orgânica. Por isso, este espaço não é apenas de indicação, mas de resistência.
Por que escolher leituras conscientes?
Em contrapartida, ser fluente é muito mais do que ler para medir resultados em testes de “fluência leitora”. De fato, ser fluente é ter a liberdade de não ser consumido pela pressa. Portanto, é lutar pelo acesso menos apressado à literatura que liberta a imaginação da prisão do imediatismo. Dessa maneira, precisamos de obras lidas com tranquilidade, profundeza e paciência, motivo pelo qual faço aqui minha crítica.
Dessa forma, para começarmos essa batalha, trago o olhar de Michael Ende através destas obras fundamentais:
Momo: esta obra é um chamado para valorizarmos a “materialidade”, o pé no chão, as mãos no barro, a junção de pedrinhas e folhas. Todos esses “cacarecos” que, nas mãos das crianças, ganham vida e significado, são a barreira física contra o avanço do Nada. É preciso ler Momo para libertar o que é nosso por natureza e resgatar o tempo que a liquidez nos rouba.
A História Sem Fim: este livro me marcou profundamente. A luta de Bastian para salvar a Menina Imperatriz é a nossa própria luta cotidiana: não deixar que o “Nada” domine a infância através dessa liquidez moderna. Como lutaremos contra o Nada? Não será hora de começar?
Jim Knopf e Lucas, o Maquinista: uma jornada que nos ensina sobre o valor do caminho. Para professores e pais, é um lembrete de que a descoberta e o vínculo são os maiores tesouros contra a superficialidade.
Um abraço consciente,
por CAL
“Deseja aprofundar seu olhar? Explore aqui nossa seleção completa de obras para o autoconhecimento.”